domingo, 2 de março de 2008

Nossa rotina

Todo dia por volta das cinco horas da tarde você sempre passava em casa pra me ver.

Foi assim por anos.

Foi assim que a rotina se estabeleceu.

Era garantia que nesse horário eu veria o seu sorriso.

Até o dia em que você me abandonou. Sem dizer nada, sem fazer nada você parou com esse habito de vir me ver.

A rotina, sem explicação ou motivo algum, foi quebrada. De maneira repentina e inusitada!

Inicialmente imaginei que fosse falta de tempo. Mas não.

Tempo era o que mais tínhamos.

Quem sabe talvez você ainda retornasse? Talvez estivesse chateado.

Por semanas fiquei ansiosa a sua espera. Mas nada de você chegar.

E eu sempre tentando te encontrar. Conversar. Mas era uma ausência eterna. Uma tentativa de me evitar que por final parei de tentar ouvir sua voz.

Seria algo que fiz?

O beijo não era bom?

Será que tinha te ofendido?

Talvez outra?!

Imaginei tanta coisa, mas nunca a verdade.

Não me lembrava de nada que pudesse justificar seu descaso. Nenhuma atitude, ou falta, minha que pudesse ser a razão da lacuna que surgiu na nossa amizade.

Não era o beijo que falhava, pelo contrario, nossa química era perfeita.

Não era magoa. Não era ofensa.

E foi então, após quase um ano de silencio, que descobri a razão.

A verdade chegou pela sua boca.

Você simplesmente perdeu o interesse e me abandonou por causa de outra relação.

Por minha sorte você me contou a verdade. Nem por isso, foi fácil escutá-la.

Estava em outra. Melhor, estava com outro. Resolveu sair do "armário"! Se assumiu.

E essa sua preferência me fez profundamente infeliz.

Afinal, tinha encontrado em você a companhia perfeita: o amigo carinhoso, o amante apaixonado, o irmão preocupado...

...Só podia ser mentira mesmo!

Não foi o fato de você ser gay que me machucava, e sim o fato de ter me abandonado. O afastamento e a repulsa aparente que surgiu em nossa amizade. Aquela ausência. Aquela tentativa de me evitar. Isso foi mais doloroso do que te perder.

E eu precisava tanto de você naquele momento.

Demorou algum tempo até eu ficar numa boa com tudo que você tinha me contado. Até conseguirmos nos manter no mesmo trilho.

Além de jogar essa bomba no meu colo me disse outras tantas verdades e segredos que até hoje tento lidar com eles.

Mas sabe como é: tudo passa.

E foi com o tempo que minha magoa foi domada, que seu desespero quando me via foi sanado.

Foi com ajuda do tempo que conseguimos nos encarar novamente.

Apesar de ter mudado seu olhar de direção e me largado no maior tesão, você as vezes ainda me surpreende com algumas atitudes de afeto. Mexe com minha cabeça. Me deixa confusa!

Embora nossa cumplicidade nunca tenha sido mais a mesma ainda conseguimos manter um certo nível de respeito.

Mas hoje, são só as boas lembranças daquela época e saudades de uma amizade, que nos une em um amor profundamente remodelado.

Hoje nossa rotina é apenas a distancia.

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