sexta-feira, 18 de abril de 2008

Até o proximo feriado

Final de semana com feriado à vista.

Dias de folga significam apenas uma coisa: fantasmas na cidade.

Com os velhos atores de volta ao palco, os esqueletos saem do armário. Sentam-se à mesa. Mostram a face e exigem a retirada das mascaras.

O mestre de cerimônia media os monólogos, cede à ordem e sentencia o castigo.

Palavras cortantes e demoníacas expelidas daquelas bocas tão amordaçadas ferem o ego de quem ousa mentir. Ferir é a exigência.

Todo o gás é expulso do pulmão pelo grito.

Lagrimas e xingamentos lançados nos corpos de quem quer manter-se oculto.

O cicerone domina todo o picadeiro. Atua e exige atenção. Decreta que os esqueletos se mostrem e se esfolem enquanto os fantasmas assistem ao espetáculo.

O cerrar da cortina só ocorre após o êxtase da dor e a apoteótica queda do orgulho.

Então, a carne da face é coberta novamente pela mascara.

Vestindo a famosa mordaça os fantasmas excêntricos são guiados a sua velha rotina.

Os esqueletos regressam ao armário.

A dor expurgada é aliviada pelo perfume do esquecimento.

Até o próximo feriado!

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