terça-feira, 1 de abril de 2008

Entre eles é assim...

Ela entrou pela porta do bar. Parou de frente pra ele e ficou esperando. Esperando que ele rompesse aquela mudez instalada entre eles há três semanas.
Ele a olhou de cima a baixo. Analisou aquela pele. Colocou as mãos na bancada. A encarou e ficou esperando que ela falasse algo.Esperou que ela fosse ser a primeira a romper aquela barreira silenciosa.
Se não fosse à impaciência dela eles passariam a manhã toda apenas se olhando, em absoluto silencio, em eterna contemplação, admiração. Mudos e mantenedores de um orgulho que os estavam afastando da intimidade passada.
Ela precisava de dinheiro. E era isso a única coisa capaz de fazê-la perder o orgulho e avançar nas palavras.

Ela queria pedir logo, mas teria que pedir desculpas antes. E isso, embora significasse a derrota, foi o que quebrou o jejum de palavras.

-Me desculpa!

Seca. Simples. E sem sinceridade.

-Só isso você tem a dizer? Não acredito em você! Fala logo a que veio e deixe de lado essa sua modesta tentativa de desculpa!

Ela olhava para ele com raiva. Mas sabendo que era verdade. E sabendo que precisava dele. Disse logo o que queria.

- Me empresta duzentos reais?
E nem esperando a reposta dele, deu a volta ao lado do balcão, e foi em direção ao caixa.

Ele a seguia com olhar.

Abriu, levantou a gaveta, pegou o dinheiro.

Ele foi se aproximando. Analisando o dançar compulsivo das mãos dela, e no momento que ela colocou o dinheiro no bolso traseiro do jeans, ele segurou-a pela cintura.

Fixou os olhos na boca dela. E enquanto ela sentia a respiração dele, entrou com os dedos no bolso e retirou facilmente o dinheiro.

Com o braço parado no ar. E se divertindo com o franzir na testa dela. Aguardou o xingamento.

E diante da passividade e novamente aquele silencio, apenas soltou o braço e foi em direção as mãos dela. Enroscou aquelas notas entre os dedos dela e sem dizer uma palavra afastou-se de cabeça baixa.

Ela sem resistir foi ao encontro do corpo dele. Encostou. Fungou aquele pescoço. Deu a boca. Mas ele se manteve inerte.

-Não posso!

Apenas essas palavras.

Uma repulsa ingrata daquela negativa.
- Será que ao menos você poderia me dizer pra que precisa de dinheiro?

- Vou fazer uma lobotomia para esquecer um rapaz que acabou de se casar!

Balbuciou um adeus entre um ligeiro sorriso e uma piscadela. E saiu deixando o pobre rapaz com o coração acelerado, temendo uma traição e amargando um arrependimento.

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