terça-feira, 8 de abril de 2008

O Casamento

Não!

Eu não senti nada quando o vi casando.

Nada. Nádica de nada!

Nem cosquinha!

...Só tristeza.


Como todo e bom casamento, a cerimônia daquele mês de junho atrasou. E o atraso foi fazendo o Noivo ficar nervoso, andando de um lado pro outro... Todo ansioso.

Ele, todo elegante posava de cicerone na porta da igreja. Forçava uma calma e tranqüilidade que apenas revelava o crescente nervosismo.

Nervosismo que misteriosamente lhe conferia um charme especial.
Mesmo sofrendo de crise pré cerimônia, ele não se esquecia da sua irritante cordialidade e atenção dispensada a ela, e que sempre a deixava tensa.

Segundo interpretação dos amigos, toda essa amabilidade e atenção despejada sob ela seria nada mais, nada menos que, sinônimo de amor.

Pelo menos, é o que dizem.

Pelo menos é o que todos viam.

Mas dentro de minutos esse cenário sentimental seria completamente alterado. Afinal o homem estava a um pé do altar.

Nem isso, segundo aqueles velhos amigos, poderia mudar realmente aquele sentimento.

Os amigos continuavam insistindo que sempre foi e, sempre será amor entre aqueles dois. Independente daquela palhaçada toda que ele armou.

- Ele casa para esquecer! Tenho certeza!

- Olha... Aquilo não é olhar que se dá para amiga! Tá devorando ela com os olhos!

- E a noiva... ! Aproveita que ela ainda não chegou e manda trocar agora de mulher.

-É melhor mesmo, senão depois tem que pagar advogado, pensão e terapeuta. Fica caro!

-Shiiiii... Parem! Vocês estão sendo maldosos.
Ele vai casar com aquelazinha e pronto! E vocês, por favor, sejam mais meus amigos e parem de ficar falando por ai que ele ainda é apaixonado por mim! Francamente, comportem-se.


Verdade ou mentira, se era ou não amor, não importava naquele momento.

Não importava as razões dele se casar, ou a quem ele amava. Naquele momento o que importava é que ele se casaria.


-Vamos ficar quietinhos para a noiva não nós escutar. Conformem-se vocês porque eu já me conformei... E nem o amo mais.

- Nós vamos nos comportar. Mas só até a festa...


Enquanto aquela música marcava o passo da Noiva, a Outra, perdida em momentos do passado tentava encontrar a justificativa para aquela cerimônia.

Procura justificativas e razões para a separação de dois anos atrás.

Aquele rompimento.

Aquela ultima briga.

O novo namorado.

A nova namorada.

As apresentações incomodas.

Os desabafos. O ciúmes.

A nova tentativa.

A nova separação.

O ódio amoroso.

O novo compromisso.

A visita. A noticia. O convite.

O que? Mas o que nos aconteceu?

Ela assistiu a esses momentos.
Esqueceu da cerimônia das Vinte horas do dia 6 de junho realizando-se na Igreja nossa Senhora do Rosário, e perdeu-se num desfeche insano que lhe fazia tremer. Segurava um sorriso que lutava para transformar-se em choro.


Sim.

Sim.

Na alegria. Na tristeza... Até que a morte os separe.

Marido e mulher.

Acabou. Qualquer esperança esvaiu-se no sim vomitado pelo noivo.

Todo o amor foi derrubado naquele altar.
A coadjuvante cravou o nome no personagem central.
O adolescente apaixonado sofreu a metamorfose.
Virou homem de família.

Mas paixão de adolescente nunca morre. Apenas dorme.

Um comentário:

  1. olá, obrigado pela visita e o comentário no Experimentando Versos. Por coincidência nesta ou na semana passada eu encontrei, também sem querer, o seu blog; li rapidamente algumas postagens e salvei o seu endereço em meus favoritos para depois, com mais calma, poder ler os seus textos e, é claro, comentá-los. Agora eu estou dando uma passada por aqui para agradecer a visita, mas, no fim de semana, eu vou fazer uma visita no Hospicio temporário para comentar mesmo os seus textos, pois é sempre ótimo quando as pessoas entram em nossos blogs e deixam neles suas impressoes, ideias etc. por isso, até breve.

    um abraço,

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