quarta-feira, 25 de junho de 2008

Amnésia

Trocou todas as memórias por aquela amnésia.
Era melhor não saber quem era, quantos nomes decorou, quantos orgasmos simulou, quantas mentiras contou, quantas pessoas amou, o quanto de tudo que fez daquela historia a vida dela. A ignorância parecia mesmo muito mais calma e bela do que toda aquela dor.
Era melhor não saber à continuar escrava daquele nome. Era-lhe impossível continuar sua jornada com toda fascinação vinda daquele homem. Aquela hipnose tinha que ser substituída pela amnésica.
E foi o que ela fez. Procurou nas paginas amarelas e encontrou. Um tal de João jurou-lhe que assim que terminado o procedimento não saberia nada, nem o próprio nome.
Pagou adiantado. Amnésia instalada.
Sem saber quem era ficou olhando os carros que passavam pela rua. As pessoas indo e vindo. A noite chegando. O dia nascendo. A primavera substituída pelo verão. E ela assistindo o tumulto da vida dos outros.
Já não atuava mais. Não sabia o que fazer. Então só assistia.

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