terça-feira, 18 de novembro de 2008

Eliza

Seus passos eram automático. Seguia a direção que tão bem conhecia: o caminho para a casa depois do curso de inglês. Uma rota que pela primeira vez fazia sozinha. Ele, sem razão nenhuma faltou do inglês.
Ela, com os pensamentos correndo soltos, mal via a hora de encontrar com ele. O vizinho, que desde a noite anterior habitava seus pensamentos, por causa daquele beijo.
Transpirava ansiedade e nervosismo. Cada passo transformava a esperança em aflição. A medida que a distancia se encurtava mais o coração disparava.
Seria a primeira conversa. O primeiro olhar. A primeira impressão após o primeiro beijo.
Se beijarem, e agora ele já sabia. Tinha que saber. Aquela explosão pela madrugada era uma declaração escancarada do quanto ela o amava. Impossível ele não saber. E em cinco minutos ela saberia, esperava saber, o que eles seriam.
O coração acelerou quando alcançou a entrada do edifício. A disritmia disparou logo que esbarrou nele. E a tristeza calou as palavras quando ela percebeu quem era a companhia dele. 
A razão da ausência no inglês chamava-se Eliza. Uma loira. Magra. Bem vestida. Cheirosa. E que educadamente foi apresentada à melhor amiga. 
Já na primeira impressão, Eliza, era tão odiada.
A nova companhia despertou os ciúmes, a raiva, a incompreensão. Temeu que os beijos sonhados agora seriam da outra. Com e pelo medo, colou nos dois como um cão de guarda, uma sentinela. 
Enquanto ele se divertia com Elisa, ela pouco a pouco desaparecia. O olhar cheio de brilho rendeu-se a tristeza, e após todo aquele masoquismo sentimental percebeu que carregar o fardo de melhor amiga era injusto para seu coração.
Desistiu daquela tortura, da tentativa da conversa do pós beijo, da esperança, e foi-se para casa. 
Machucada, magoada, e crente que nunca se recuperaria, culpava Eliza que lhe roubou o olhar negro, a atenção e a risada do seu menino, a deixando apenas com o título de melhor amiga.
Não queria a amizade. Não queria ser invisível. Queria ser Eliza. Queria que ele soubesse, que desvendasse seu olhar, que entendesse que era amor.
Mas o menino perdidamente deslumbrado por Eliza, insistia em te-la apenas como melhor amiga. 
O menino preferia a segurança proporcionada pela melhor amiga a saber e entender o que realmente sentia.

Um comentário:

  1. E quantas meninas já devem ter estado no lugar da protagonista...

    Visita de primeira viagem, gostei muito, viu?
    O modo como você expressa com realismo os sentimentos, sem se deixar levar, é extremamente habilidoso.
    Parabéns!

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