sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Os meses do casal

Numa sexta feira à noite se conheceram numa sala de bate papo. Passado trinta dias das trocas de mensagens decidiram que era hora de se encontrarem.
Dois meses depois, completamente apaixonados, decidiram se casar.
Três meses, e ele vendeu a moto e deu entrada num apê de dois quartos. Ela vendeu o carro e completou na entrada, mas só na metade, a outra parte comprou alguns moveis.
Quatro meses, e apresentaram-se aos amigos. Contaram as novidades. E declararam que gravidez não era motivo do casório.
Cinco meses, e ele esqueceu da outra. E ela o outro. Amavam-se todo dia no fim da tarde. Conversavam e confessavam o ódio aos respectivos empregos, aos chefes, aos horário, e fizeram planos para um negocio de estamparia após o casamento.
Seis meses, e programaram a festa. Perceberam que o dinheiro era curto e por isso festa apenas para os mais chegados. Sem saber, perderam alguns amigos pela gafe, mas quando descobriram não se importaram.
Sete meses, e começaram distribuir os convites. Quem os recebia confirmou que gravidez não era o motivo do casório. Mas continuavam sem entender o porquê do casamento daqueles dois. Ela e ele, para todos não combinava. Ninguém entendia a pressa. Ninguém entendia a vontade.
Oito meses. Despedida de solteiro. Chá de cozinha. Presentes. Enxoval pela metade. Novos planos para lua de mel.
Nove meses, e se casaram.  O Sim diante dos amigos que sobraram, dos velhos amores que não se conformavam, da família aliviada. Festa para cem convidados, e lua de mel em Gramado.
Um mês de casado, e ele vendeu o bar, ela pediu demissão, e deram inicio a estamparia.
Dois meses. Novos empresários. Pouco dinheiro, muito trabalho. O casal cansado no fim da tarde, pela noite, e esquecendo as razões dos finais de semana.
Três meses, e o dinheiro ficou escasso. A irritação tomou o lugar dos apelidos carinhosos. É só trabalho, trabalho, trabalho.
Quatro meses, ele pensa na outra, e ela no outro. Entre os olhares surgem os pensamentos "Por que me casei com ele?", "O que vi nela?", "O que faço agora?”, "Não sou feliz!", "Não somos felizes". E o arrependimento é constante.
Cinco meses, e ele se encontra com a outra. Não resistiu, meteu-lhe um beijo na boca, jurou amá-la e implorou uma miséria de carinho. Ela lhe cedeu apenas um tapa na cara.
Seis meses, ela ligou para o outro, pediu que se encontrassem, reclamou da vida, do marido, e da saudades dos corpos entrelaçados. Ele a chamou de vagabunda e pediu que não o procurasse.
Sete meses, a estamparia vai mal, as parcelas do apartamento começam a atrasar, estão sem carro. Esqueceram o amor, perderam o respeito. Querem voltar para a casa dos pais. Querem voltar o relógio. Querem se separar.
Oito meses, e perceberam que não conseguem mais brincar de casinha. Ele procurou o amigo advogado. Ela procurou a mãe. No fim do mês colocarão um ponto final numa historia que nunca deveria ter começado. Eles não combinam. Não se amam.
Nove meses. Perceberam que casaram para atropelar a solidão e afastar a tristeza dos amores mal resolvidos, mas os efeitos matrimoniais pretendidos não deram resultados. Assinaram os papeis da separação e os pais se responsabilizarão pelas dividas do já separado casal.

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