sábado, 28 de fevereiro de 2009

Investir no humano

Manter o mesmo carinho, afeto, compaixão, mesmo com a passagem do tempo, é a coisa mais difícil que há. As pessoas crescem, evoluem, afirmam sua personalidade, mudam de opinião, e podem ou não continuar nos transmitindo aquelas emoções, manter o mesmo respeito. O que sentimos por um amigo, mas amigo de verdade, permanece não importa o que aconteça. Não importa as palavras brutas, as atitudes impensadas e o egoismo infantil. É tarefa difícil lidar com tanto sentimento contraditório, com o medo da mudança, enfim, é difícil lidar com o humano. Mas pelos amigos, estamos dispostos a enfrentar o que vier.
Eu pensava assim. Que valia a pena manter o carinho, o respeito. Defendi isso. Mas agora, de uns tempos para cá, tenho repensado, e percebi que na balança da amizade a oscilação é constante, e desisti de acreditar (talvez seja o momento). Tenho experimentado muita decepção, muita ofensa para continuar acreditando que vale a pena a investir no humano.

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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

O som da solidão

O som da solidão explode no meu canal auditivo.

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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

O tal do afeto

Como todo início trocamos alguns olhares e conhecemos os nomes. Aprendi seus gostos, seus desejos, seus medos. Conheci sua parte mais honesta, a parte que me aterrorizava, e toda a composição da sua personalidade. Foram anos em que ele atuou como meu melhor amigo. Até que aquele sentimento que experimentei no inicio, o tal do afeto, cresceu. Cresceu em importância, e fazia meu peito pulsar esquisito quando o via. 
Éramos adolescentes, éramos cúmplices, éramos confidentes, eu a amiga inseparável, e ele o amigo insubstituível. Mas aquilo que eu carregava no meu peito incomodava, se debatia querendo sair. 
Crescíamos, o tempo corria, a paixão crescia, e chegou o dia em que as palavras tentaram ensinar o que era aquilo que eu carregava. 
Foram apenas duas palavras. Não existiam outras que pudessem explicar, ou exemplificar aquilo que eu sentia desde o primeiro olhar, quando tínhamos apenas sete anos. Foram naquelas palavrinhas, que os anos que viriam depois me ensinaram a banalizar, que transformei o afeto em amor. Foi naquele Te amo tímido e rouco que transformei o melhor amigo em primeiro namorado.

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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

De volta a programação normal...

Enquanto os colegas se matam para cumprir os prazos eu cultivo minha habitual dor de cabeça, sabe aquela? A filha da ressaca. 
Vou catando meus pedaços, e alem de procurar um abrigo anti-bomba, também vou inventando desculpas para afastar um depressivo apaixonado. Coitado, tão clichê e tão chato. Na minha próxima escusa para o galanteio pretendo dizer que estou esperando meu marido sair do coma, quem sabe assim ele entende que "to fora". Se a verdade não basta, que compre minha mentira.
Mais clichê que ele só o obvio: agora o ano realmente começa! Mesmo que eu já tenha sentido os efeitos desse inicio há tempos. 
Enfim...de volta a programação normal, ou quase isso!

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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

"O que você vai ser quando crescer?"

O que você vai ser quando crescer?
A minha resposta nunca foi a de serei  medica. Ou advogada, ou dentista, ou professora, e nem parecia com a dos amiguinhos, muito menos, com a normalidade que me fornecia um cardápio extremamente tradicional.
 A única coisa que eu seria era viajante do tempo. Uma pena que quando cresci fiz escolhas mais tradicionais. Mas na época daquela pergunta não importava o quanto e se um viajante do tempo ganharia dinheiro. O que importava era o vai e vem, a aventura, o fato de conhecer as possibilidades do meu eu futuro, modificar o meu eu passado, e largar o aborrecimento do presente para avançar no tempo como eu bem entendesse. 
Para minha frustração, deixei de lado as viagens no tempo para me aborrecer com as normalidades.

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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O menino e o pé de alface

Dizem que tenho uns lances muito esquisitos. Pode até ser verdade. Acho que seja mesmo verdade. Eu sei que sou bizarra as vezes, mas em pequenas doses, é até tragável. Mas o que anda acontecendo, por conta dos meus malditos relatórios de observação, além de "perder" meu tempo observando e olhando, tenho elevado a outro expoente minha não interferência na vida alheia, apenas no intuito de estudar o "qualé que é" do fulano.
Dia desses, eu toda despreocupada, fui no supermercado (coisa que odeio de paixão!). 
Final de semana, local lotado, e sabendo de antemão que a probabilidade de perder a pouca paciência que me resta,  preparei meu espirito para lidar com pessoas que desconhecem o protocolo de filas e da boa educação, e comecei as comprinhas com o frase na cabeça: Respira fundo, e calma!
Para minha surpresa nem me aborreci. Culpa, mesmo,  dos relatórios de observação, que me treinaram para um olhar mais apurado e que me serve de estopim para inúmeras reflexões sobre o comportamento dos outros, do que por qualquer outra razão.
O que ocorreu foi o seguinte: já tinha deixado a fila depois de pesar os legumes e frutas, quando percebo lá no final um jovem, todo arrumadinho segurando um pé de alface, esperando sua vez para ser atendido. 
E eu, lá no meu canto, fiquei pensando, será que ele está na fila só pra pesar o pé de alface?
Claro, que meu bom senso me mandou ficar esperando (pra isso eu espero sem reclamar!) só pra ver se minhas deduções estavam corretas. 
Aproximadamente uns cinco minutos observando o rapaz e a fila. Quando chegando na vez dele, vem a confirmação. 
-Moço, alface não pesa. 
-Ah não?
-Não.
Todo serelepe e sem se importar com o "então fiquei na fila a toa!", o sujeito foi embora com seu pé de alface.
E eu fui para o caixa me matando de rir do menino e sua alface. Nem percebi o tempo que fiquei na fila. Mas estava doida pra sair dali logo e comentar com os amigos aquilo de pesar o pé de alface.

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domingo, 15 de fevereiro de 2009

Alguns metros de distância

Apesar da distancia, ela podia ouvi-la com perfeição.
-Sabe, ela não tem disso...isso de vaidade. Não liga para roupas, maquiagem... Não liga! Mas é muito culta. Lê muito. A única coisa que compra são livros...Roupas, têem que comprar para ela, senão...
Não teve certeza, mas a reação dele ao ouvir o discurso da velha assemelhava-se a um "mas e dai?". E com cinco metros de distancia, ela se divertia com aquela conversinha. Ele, do outro lado sala, escutava as justificativas da velha, e ela, lá na direção oposta, tentava adivinhar o que ele pensava de tudo aquilo.
-Talvez ele queira saber quais minhas ultimas aquisições literárias? Ou quem sabe, queria mesmo é saber quem compra as minhas roupas?

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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

No fundo da gaveta

Sem querer me deparei com ela. Imponente, me encarando, me desafiando. Respirei fundo e pensei que não poderia ser nada de mais, e segui a diante.
Abri e comecei a ler. Logo nos primeiros momentos já senti o estomago revirar.
 Talvez eu não tivesse coragem para seguir até o final. Talvez fosse melhor desistir daquela carta, deixá-la mofando no fundo de qualquer gaveta e ponto, fazendo de conta que ela não existia. 
Mas não, a coragem teria que nascer a qualquer momento. Teria que encara aquelas verdade. Não poderia mais permitir que simples palavras fizessem minha perna bambear, afinal, passados dois anos a superação já teria que ter brotado há tempos.
A verdade, no entanto, é que nunca superei. Seria impossível superar tanto amor, tanta magoa tanta saudades. A verdade é que nunca consegui chegar nem ao menos ao final do primeiro parágrafo.
Aquelas palavras, mesmo velhas depois de dois anos, ainda me fazem o estomago revirar, me fazem sentir medo do que pode ter naquela ultima linha. Minha covardia e prudência mandam, e eu obedeço, deixando aquele papel morto no fundo da gaveta por mais alguns anos.

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Menos é mais

Mais um dia de convívio social e mais uma decepção. Tenho expectativas altas em relação às pessoas. E talvez o segredo, para evitar a decepção, seja não esperar demais das outras pessoas. Talvez, em relação a pessoas, o menos seja mais. Quem sabe se eu encarar assim, eu comece a perceber potencial fraco não como fracasso, mas como um sucesso de personalidade.

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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Maravilhosa obsessão

A maior parte do dia estou com você nos meus pensamentos. Não faço de caso pensado, é involuntário, estou eu lá, e lá está você flutuando na minha cabeça! Simplesmente acontece. Os objetos, a natureza, o riso da outras pessoas, tudo, tudo no mundo lembra você. Não vejo as horas porque você me entretêm. E mesmo com as características de uma obsessão, não me importo com a distração maravilhosa que é você dançando na minha mente.

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domingo, 8 de fevereiro de 2009

Sujeitinho idiota

Meu coração é um sujeitinho idiota, que sai todas as sextas, se embriaga e faz declarações de amor madrugada afora. 
Um sujeitinho idiota, alcoólatra e boêmio, que no “Day After” , no auge da ressaca, acredita ter descoberto a cura para todas  suas  dores: comida gordurosa, refrigerante e aspirina. 

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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

O que fazer?

O que fazer quando se odeia a quem deveria amar?
Por mais que eu tente só consigo nutrir esse asco. E o mais dificil não é conviver com essa sensação, mas ter que disfarçar  o ódio.

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É a culpa

 A culpa por não corresponder as expectativas, por querer falar não, por não conseguir compreender.
A culpa por ser, por continuar sendo aquilo que é imperfeito e incompleto.
A culpa por não ter conseguido sair do lugar, por ter criado raízes, por ter desejado.
É uma culpa que me vendarem, e que acabei comprando. E esse produto me faz acreditar que sou apenas “isso” e não poderia ser muito mais. É a culpa que me cega e me faz crer que sou um mostro, um ser insensível, uma pessoa malcriada.
Mas na verdade não preciso ser o que querem, tenho que ser imperfeita, e minha essência não é monstruosa.
Descobri que me imputam a culpa toda vez que começo a andar com minhas pernas e raciocinar com minha mente. Que me imputam a culpa porque sou por mim e não pelo outro. Que me dão a culpa porque discordo e não digo amem. Percebi que é nesse momento que me inventam monstruosa, malcriada, quando na verdade, a culpa não vem da minha atitude, vem do contragosto do outro.
Agora me basta saber que não há realmente culpa que me caiba, apenas sou e pronto, e não preciso mais sentir a culpa pela magoa dos outros.

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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Minhas incertezas e as velhas exigencias

As aulas da faculdade mal começaram e eu já me pergunto se realmente valerá a pena continuar.
Só de pensar no tempo investido, só de imaginar que são sempre as mesmas exigências e metas a serem atingidas, sem que se importem se a aprendizagem ocorreu, que eu fico imaginando: vou adiante, ou paro agora?
Talvez a insatisfação seja culpa das ultimas conversas com os colegas, que sabem o que querem, enquanto eu desconheço minhas próprias vontades. E com isso acabo com aquela sensação de quem assiste toda a cena pelo lado de fora, lá da janela, me sentindo a deslocada do grupo, ou seja, aquela que segue a maré com a esperança de desembarcar em algum lugar.  
Perceber e ter a consciência que a grande questão da minha vida é: não sei o que quero, apenas sei o que não desejo; já é um inicio! Mas começou a faltar tempo para ir excluindo da lista o que não quero para descobrir o que quero.
É muita cobrança porque já é tempo de eu saber qual o meu caminho. É a velha exigência social com suas regras de cresça, estude, arrume um emprego, case, tenha filhos e morra, que a todo instante bate na minha porta.
Dá uma frustração caminhar pela vida no escuro, sem um plano alternativo. Dá uma angustia perceber que todos que me cercam acertaram o passo, e eu aqui, parecendo alheia a realidade, cursando uma faculdade que eu não tenho certeza, com um prazo de validade para estourar na minha cara.
E assim, vivo meus dias com a incerteza fazendo festa no meu estomago.

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terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Sem amizade

E eis que passados três meses ele criou coragem e lhe perguntou:
-Você tem religião?
E ela, mais corajosa ainda respondeu, convicta e monossilábica: Não!
-Mas você não acredita em nada?
-Nadica!
-Me responde uma coisa, com sinceridade, você fica triste de vez em quando?
Ela logo imaginou que ele fosse servir uma dose de algum evangelho e forçar a entrada de Deus no seu coração. Mesmo assim, temendo o discurso sou feliz porque tenho Jesus no coração, arriscou e respondeu:
-Como qualquer ser humano tenho dias felizes, mas também tenho dias tristes.
-E o que você faz nos dias tristes?
-Nada, melhor, encaro eles, as vezes fico com raiva, xingo, mas sei que eles serão superados.
-Mas você não acredita em nada, como pode encarar as dificuldades?
-Muito simples, meu querido, eu apenas acredito em mim. E isso basta.
-Se eu não tivesse religião acho que não levantaria da cama! Ultimamente só tenho dias tristes, e diferente de você, não consigo encara-los, é um grande desconforto.
-Por acaso você já ouviu falar em depressão?
...
Depois da conversa ele sumiu. Sem religião, sem amizade, essa era a equação. Abandonou a amiga e continuo mais tristonho que nunca, e por duas vezes, tentou se reunir com Deus para uma conversa mais intima.

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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Enquanto ele examinava o relógio ela disparou: 
-Você seria tão mais interessante se não usasse relógio.
Ele não disse nada, apenas sorriu, a beijou na boca e foi-se. Como cumpria a dieta rigorosa do relógio não podia ousar atrasar os minutos, mesmo que o resultado tornasse o romance mais interessante. 

 

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domingo, 1 de fevereiro de 2009

Vai acabar em confusão

Melhor você segurar!
Segurar o que?
Seus pensamentos, oras!
Mas por quê?
Se descobrirem o que você anda pensando, com certeza, terá problemas.
Melhor tomar cuidado mesmo. Me policiar mais. Porquê, realmente, se descobrem o que estou pensando... Melhor, se descobrem em quem estou pensando... Hum, vai ser problema, quer dizer, vai haver drama!
Considere-se avisada! E faz força pra me segurar aqui dentro. Seria mais prudente que eu sumisse. Então, me aniquile, me faça desaparecer!
Um, dois, três... desculpas, mas não posso te aniquilar, te exterminar, assim e puff! Você significa muito, mas muito pra mim!
Se eu continuar por aqui... Vou antecipar o que vai acontecer: você não vai resistir e vai me libertar. Depois vai chorar, reclamar e barganhar, e será complicado arrumar toda a confusão. 
Tudo bem. Eu correrei o risco, e enquanto isso você fica ai quietinho, mudo, contrariando a sua previsão, mas me proporcionando horas fantásticas.
Se você prefere assumir o risco tudo bem, mas certeza, que vou acabar em confusão!

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  ©Template Blogger Writer II by Dicas Blogger.

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