domingo, 9 de outubro de 2016

Sobre ser criança

Tenho um aluno que é daquelas figurinhas comuns a toda sala de aula: agitado, desafiador, inquieto, resistente às regras e combinados e muitas vezes agressivos (tudo isso é resultado de uma modelo falho de educação, mas isso fica para outro dia), mas que para variar é dotado de uma inteligência singular. Tem o adicional de que a família não participa da vida escolar da criança, e ainda, é o menino de 6 anos quem se responsabiliza por tudo, desde vestimenta, higiene e material escolar. Pois enfim, dias desse houve reunião para esclarecer sobre um passeio e ninguém responsável pelo menino compareceu, então, supostamente, ninguém ficou sabendo sobre o que vestir e o que levar, apenas o menino era o único da família que sabia. E esperar que uma criança de 6 anos lembrasse e se responsabilizasse sobre o que era preciso organizar para o dia “d”, ainda mais após duas semanas de aviso, era quase que pedir muito. Mas não foi. E eis que as 7h da manhã do dia marcado, me deparo com o “bom dia” entusiasmado de um menino de banho tomado, cabelos penteados, mochila nas costas, uniforme limpo (nunca apareceu de uniforme na escola) e sorriso no rosto aguardando o passeio da “sua vida”. Confesso que a cena me sensibilizou, me deu aquele aperto danado no peito e só conseguia pensar que ele realmente me escutou…e veio a dimensão da responsabilidade sobre aquela criança, praticamente materializada nas suas atitudes. 

 

Um comentário:

  1. Uma vida chamada docência... Esses meninos me tocam o coração e de muitas formas ressignificam meu oficio, me ajudam e incentivam a permanecer remando contra a mare!

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