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domingo, 29 de junho de 2014

Dessas tantas palavras que cabem no silêncio

Como esquecer alguns sentimentos? Mesmo que não ditos sabemos que estão ali, que existem ali, em uma dimensão tão particular e infinita! Lembro do muito que era dito enquanto ficávamos em silencio: os olhos se buscavam e se entregavam, uma única sintonia pulsante. Doloroso e extasiante. 


terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Tempos

Eu guardei a carta por muitos anos. Talvez na esperança de te entregar, talvez como garantia de que a mantendo, também manteria o sentimento...em vão. 
Do primeiro olhar e do coração batendo acelerado já foram 20 anos. Que já não nos reconhecemos, nem em olhares e nem em afinidades, já são 16 anos. 
E tempo correu doloroso, impetuoso, mas resolveu: acalmou o peito. Já carta, embora tenha demorado, foi ao lixo tem 5 anos, deixando mais uma vez o coração limpo.  

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Convite

Aquele olhar tão distante apenas provocava minha curiosidade. Fiquei o assistindo por alguns minutos e após a curiosidade me vencer, cheguei perto e disparei:
- Tá onde, posso saber?
- No Rio. Sentado num desses botecos que de tão democráticos podem ser por demais perigosos.  
Esperava uma resposta, mas não a que ganhei. Ele nunca é como os outros, e mesmo que eu previsse algumas diferenças jamais consideraria que perguntas e respostas poderiam ser um convite.
- E você está sozinho?
- Eu e meu chopp. Penso em muitas coisas, mas estou só. Você sabe que a solidão é meu gatilho pra imaginação.
- Mas pensa o que? Imagina o que? 
- Que toda essa gente e toda essa movimentação da vida sempre nos leva pro mesmo lugar... que chega a ser tão obvio e tão assustador também.
- Desenvolva melhor. 
Ele sorriu, um sorriso largo e silencioso. Ele sempre sorria quando eu lançava o meu "desenvolva melhor". Dizia que eu enrugava a testa e invertia o que não deveria: racional no lugar do emocional. Dizia que eu perdia o colorido da vida quando trocava o sentir pela razão, que algumas emoções devem primeiro serem sentidas e só depois interpretadas. E que agindo assim eu atropelava o sentido da vida. 
Pude encontrar, nos seus olhos a mesma lembrança, quando terminei minha frase. Sorrimos ao mesmo tempo. Esperei que ele verbalizasse a sua "dura", mas essa não veio. O que veio foi a surpresa. 
- Sabe aquele momento dos filmes quando de repente no meio de qualquer conversa alguém para e diz: eu senti tanto a sua falta?
- Sei. E sei que a única resposta é eu também.
- Você sabe o que acontece depois?
- Sei... mas nós queremos o que vem depois?
- Eu sempre quis, você é quem racionalizava demais nesses momentos.
E mais uma vez ele me conduzia com as palavras certas. E mais uma vez eu aceitava seu convite. 


  

domingo, 5 de fevereiro de 2012

O tamanho do que sinto

Em meus pensamentos soa menos clichê, e quando digo em voz alta o Como pude viver todo esse tempo sem você?, parece que as palavras não alcançam a dimensão correta. 
 

domingo, 25 de setembro de 2011

Da nossa vida

E quando dei por mim anos já haviam passado. Já faz muito tempo do dia que caminhávamos lado a lado e construíamos mil hipóteses e sonhos. 
Já faz tempo, mas posso jurar que sinto e vejo como se fosse há poucas horas. Faz tempo que os prazos dos sonhos venceram, que os amores transbordaram em magoas e que vivemos apenas das boas memorias. O tempo das boas risadas, dos toques e das descobertas em conjunto, já venceram. 
Sim, faz muito tempo, tudo continua mudando. Eu e você. Os relacionamentos. Nossos planos. Tudo em constante mudança, com uma unica constante: eu de um lado e você tão distante. E "eu e você" já não completa o "nós". E assim, "eu e você" já não construímos sonhos. Nem planos. Nem amores. E muito menos, gargalhamos da tristeza e desafiamos o impossível. Apenas nos conformamos a representação.
A saudade ainda é muita. E a dor intensa porque somos tão diferentes do "nós" que acreditava. 

sábado, 7 de maio de 2011

7 de Maio


Eu sei que sempre foi uma tradição nossa a comemoração silenciosa e sempre polida. Características estas que nos serviam mais como desculpa da suposta distância do que realmente a verdade representada.
E mesmo que com toda contradição, todos sentimentos ambivalentes que mantivemos entre nós, sempre tínhamos o nosso dia especial de maio.  Mas hoje, depois de anos, minha presença no seu 7 de maio chega ao seu fim. Encerrando, assim, mais uma faceta de tudo que construímos. 
Diferente dos outros 7 de maio, faço com que o silencio se transforme, realmente, em silêncio, sem interpretações em suas "linhas".

quarta-feira, 16 de março de 2011

Só ou Nós

Compartilhamos a mesma história. Muitas fases, uma unica constância - amor.  Mas, já não vivemos juntos. Temos apenas as lembranças e a certeza de que histórias como a nossa,  denominada de "má acabada", será sempre o eterno boicote a qualquer outro relacionamento. 

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Culpa

Não posso culpa-lo pelas ausências.
Não posso culpa-lo pelos esquecimentos. 
Não posso culpa-lo.
Não devo transferir ações e omissões e culpa para terceiros. Ou parceiros. 
Posso. Devo. Culpar-me, apenas.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Nós

Tenho esse aperto no peito e essa confusão no estômago toda vez que seu nome é mencionado. É um estado físico/emocional dos mais estranhos. Talvez seja amor. Talvez seja o medo do simbolismo da palavra "nós". Ou talvez, quem sabe, seja só saudades. 

domingo, 10 de outubro de 2010

Nas entrelinhas

E tínhamos a necessidade de criar discussões e briguinhas. Fazíamos apenas para sentir o toque que vinha com o abraço acompanhado das desculpas. O medo de cruzar a linha dos sentimentos sempre nos fez abusar de alguns subterfúgios e estratégias que, posteriormente, nos davam a desculpa de sentir a pele, sem a necessidade de declarar a maior vontade: o tato expressando todo o amor.
 

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Juntos

Porque apesar de todas as palavras amargas, egoístas e brutas que despejei em você existe uma que faz teu coração amolecer. 

sábado, 31 de julho de 2010

Palavras

E tudo que eu queria dizer perdeu-se entre o caminho dos seus olhos à sua boca. Palavras já não importam.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Sinais

Quando nossos encontros são apenas rotina.
E quando suas palavras silenciam.
Sei que perecemos.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Das recordações

As recordações de nossas noites estão pregadas em minha memória. Talvez essa seja a razão que me leva a compara-las as novas noites e perceber que já não experimento a mesma emoção.

Porque neles há amor

São 43 anos de casados. E ainda há espaço para declarações de amores, seja por palavras ou por gestos. Ainda há um brilho no olhar quando percebem a chegada um do outro. Ainda há encontro. Ainda há cumplicidade, afeto e respeito. Percebe-se neles e por eles que há amor, e muito. É um amor vivo.
São anos de uma dinâmica de vida que eu nem imaginei que pudesse existir, ou que ousei sonhar em experimentar. Ao vê-los, apenas imagino, percebo, que não amei e talvez não saberia amar com tanta entrega.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

E outro 7 de Maio

Só para não perder o habito de velhas praticas: Feliz Aniversário!
E esse ano, diferente da nossa tradição, rompo o silencio e digo:
-O som do meu nome na sua voz ainda ressuscita as minhas borboletas.

terça-feira, 20 de abril de 2010

A caça

No silêncio, se aproximou, a encostou contra o armário, e fitou seus olhos. Com voz rouca disse que iria traduzir todos os mistérios daquele olhar.
Mal recebeu essas palavras a outra sorriu e soltou um boa sorte, se livrou do corpo e declarou com tom irônico:
-Suas aptidões estão muito distantes para tal feito. Traduzir-me é impossível. 

segunda-feira, 22 de março de 2010

Enredo

É como se a historia possuísse apenas o meio. Sem inicio, o que a deixa completamente descabida e, sem um termino, o que a deixa sempre em suspenso. 
É assim, sem sentido, que nós dois resolvemos escrever nosso enredo. 

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Prazeres

O cheiro é inebriante. Faz tombar todos os meus sentidos. E me fere profundo quando percebo o quanto me domina. É um desejo incontrolável que nasce do encontro de olhares. Todo prazer é inenarrável, imensurável. É êxtase febril.  Até que chega a despedida trazendo suas dores irreparáveis e novos suspiros de saudades.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Em uma noite escura

Ele, enquanto encarava aqueles olhos verdes que choravam, sentia o peito acelerado, o medo se aproximando, a dor ardendo. Queria abraçá-la, reconfortá-la, tirar-lhe daquele sofrimento. Queria te-la mais uma vez, mas sabia que não podia. Queria esquecer e continuar, mas eram tantos mal entendidos, tantos desencontros, que não conseguia voltar atrás naquela decisão. Ela, chorando, quase suplicava, implorava por aquele amor.
De frente um para o outro tentavam esconder toda a dor, mas era em vão. Não conseguiam mais fingir que tudo estava bem, que tudo iria se acertar.
Ele sucumbiu quando entendeu o desespero dela, e então, a trouxe para o peito e a deixou chorar por alguns minutos. Mas não mudou de idéia. Não podia. Era muito orgulho para tentar vencer. Era começar e esperar pelos mesmo tropeços. Não podia.
Aqueles instantes eram seus últimos. A ultima partilha de um afeto que morreria nos próximos minutos. Uma contagem regressiva que passeava pelos meses da união. E bastou que ele declarasse: Acabou, eu não te amo mais; para que se encerrasse a melhor historia de suas vidas. Aquelas palavras foram suficientes para que toda a aflição dela transbordasse.
Ela ficou chorando sozinha enquanto a imagem dele se diluía na escuridão.