sábado, 8 de março de 2008

O susto

A mão segurou a menina pelo ombro.

- Presta atenção!

Foi o único desabafo daquele infeliz motorista.

A freada seca no asfalto.

O susto.

O Cheiro de borracha.

Um gelo percorreu a espinha dele.

E ela nada disse. Apenas se perdeu naquele olhar apavorado do menino.

- Thais! Nossa, dessa vez foi por pouco. Quase que você foi atropelada!

- É.

- Credo. Como eu assustei! E você com essa cara de quem nem tá ai. Sua insensível!

- Mas foi só um susto. Nada aconteceu.

- Você é loca!

Permaneceram em silencio. Os dois subiam a rua pensando no que quase aconteceu.

Ele, assustado, porém orgulhoso por salva-la. Mal conseguia suportar a idéia do carro tocando o corpo dela.

As idéias dela, ao contrario do que ele poderia imaginar, eram apenas de infelicidade. Não conformava- se como o fim foi evitado.

A menina queria aquilo.

Ela queria se retirar do palco.

Ela queria encerrar o espetáculo.

Mas a mão dele foi tão rápida como o reflexo do motorista. E assim os dois evitaram o acidente. Prorrogaram mais um pouco o inevitável.

Chegaram ao seu destino ainda em silencio.

Moravam no mesmo condômino. Em prédios diferentes. Um em frente ao outro. No quinto andar. Apenas sete metros de distancia

O menino esperava o elevador enquanto ela cruzava o pátio.

E ele acompanhou o caminhar da menina, enquanto ela se afastava.

Repassava o ocorrido na sua mente. Teve a mesma sensação de desespero.

- Eu te ligo mais tarde, Thais.

- Tá.

O menino, ainda abalado com a imagem, correu até a menina. Ofegante deu um abraço emocionado nela, e mudo, voltou para sua espera.

Emoções tão contrarias pulsavam na veia dela. O querer voltava a germinar. Descobriu que o menino também se importava.

Um comentário:

  1. Sabe, é assustador nunca sabermos o que se passa na cabeça de uma pessoa, e é tão bom, pois só assim nunda descobririamos em momentos como esse quem se importa?

    bjus

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